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E aí, vai amarelar?

Quem nunca foi tentado a colocar sua bravura a prova por seus amigos? Enquanto eles te incitavam a colocar sua vida em risco, uma vozinha sussurrava no seu ouvido para te demover desse ato imbecil. A batalha entre esse anjinho no seu ombro e os diabinhos nos seus amigos é um conceito cristão adaptado da Grécia Antiga. Segundo essa ideia, todos os seres humanos eram acompanhados por dois espíritos: um mau e um nobre, que instavam as pessoas ao longo de suas vidas a praticar más e boas ações.

A primeira referência cristã conhecida foi no livro “O Pastor de Hermas”, de cerca de 140-150 d.C., que descreve que todo homem possui dois anjos – um da justiça e outro da iniquidade. Esses anjos, por sua vez, descem ao coração da pessoa e tentam guiar suas emoções. Hermas é instruído a compreender os dois anjos, mas a confiar apenas no Anjo da Justiça. Crenças similares são encontradas em muitas culturas antigas e tradicionais, tais na tradição Islã e até no budismo japonês.

No folclore cristão, cada pessoa tem seu próprio anjo da guarda com a árdua tarefa de evitar que sofra danos, tanto físicos quanto morais. Ao mesmo tempo, cada pessoa é atacada por demônios que tentam seduzir a pessoa ao pecado. Esse conceito acabou se popularizando através dos desenhos animados, como no vencedor do Oscar de 1942 de melhor curta-metragem de animação “Me Dê uma Pata”, no qual Pluto salva um gatinho que estava se afogando e lhe traz para casa. Quando seu tutor Mickey gosta do gato, Pluto sente que perdeu seu lugar e os dois lados de sua consciência aparecem para lhe dizer o que fazer com o gato.

Essas disputas internas de consciência podem levar a situações extremamente graves, como ao suicídio. O que muitos consideram um “problema” mental é, na realidade, um problema de saúde pública. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças Americano, cerca de 800 mil suicídios ocorrem apenas 2022. Engana-se quem acredita que as pessoas com ideias suicidas estão longe de nós. Cada vez mais, você fica sabendo de amigos próximos que atentaram contra a própria vida. E, infelizmente, muitos conseguem. Mais triste ainda é saber que essas mortes poderiam ter sido evitadas.

Como compartilhei nesse artigo da Newsletter da YourNetWorks, eu já senti a impotência de perder um amigo querido. Eu não tive êxito em demover de sua cabeça o nefasto pensamento de colocar um fim a sua existência. Desde então, procuro estar ainda mais próximo dos meus amigos. Daí a importância do Setembro Amarelo, mês dedicado a prevenção ao suicídio, com diversas iniciativas de acesso às redes de apoio, aos profissionais de saúde mental e às informações corretas sobre como identificar e fazer o acompanhamento na busca por ajuda.

A cor amarela surgiu em homenagem ao jovem Mike Emme, que tirou sua tenra vida aos 17 anos de idade em 1994 após ter reformado um Ford Mustang 1968 amarelo vibrante! Amigos e parentes criaram o programa Fita Amarela (Yellow Ribbon) nos Estados Unidos com iniciativas como uma linha direta de apoio. Em 2003, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o dia 10 de setembro como Dia Mundial da Prevenção do Suicídio. No Brasil, temos iniciativas similares, tais como o Centro de Valorização a Vida (CVV) e os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) ligados ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Por isso, como disse a roqueira americana Hayley Williams, quando você sentir vontade de desistir, lembre-se do motivo pelo qual você aguentou por tanto tempo! Para sua Rede Funcionar, não amarele! Peça ajuda, ligue para quem é próximo, não necessariamente para quem está perto. Lembre-se que você não está sozinho! Muita gente querida quer o seu bem e pode ser o anjinho no seu ombro para te ajudar na batalha contra aqueles diabinhos que estão infernizando sua vida!

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